segunda-feira, 2 de junho de 2025

2 semanas depois


 falarei da primeira vez que me deitei com uma mulher depois de ti. continuo a olhar o passado e ser eternamente agradecida, como se ela me tivesse feito uma esmola. na realidade sempre senti que sim. que beleza com peso a mais, uma alma rasgada até ao sangue e a retina dos olhos turva de tanto chorar a tua ausência de tudo. deve haver alguma beleza num coração partido, nas palavras poucas num corpo faminto para te esquecer. fui para a cama com ela duas semanas depois de ter falado contigo pela ultima vez. e ainda hoje me envergonho. não tínhamos nada há meses e eu na realidade sei que nunca tivemos nada, foram 4 experiências para ti e 4 maneiras de foder-me a vida acompanhada.

chegaram as férias, as ultimas do ano, depois de Itália - e eu que só queria voltar e ficar no loop do tempo onde te poderia ter todos os dias numa vídeo chamada que me deixava quase à beira dos mais deliciosos orgasmos. tive que fazer o esforço para aceitar o convite de uma amiga do Porto para passar uns dias na zona do Douro. não sabia que se andava a passar comigo, mas percebeu pelas minhas poucas conversas que algo não estaria bem. disse que tinha gente interessante para me apresentar e que se eu quisesse pisar o risco com ela também podia. era uma amiga, com quem nunca tive envolvimento e sinceramente nunca percebi a atenção que me dedicava.

vamos a um lançamento, disse ela. e eu que não estava para livros recusei. lançamento de vinho no Peso da Régua, quase gritou. ok, ok, pronto, conta comigo. este é o meu tipo de evento, não era naquele dia e naquele tempo, mas foi ali que a vi. não sou de percorrer o olhar pelos espaços à procura de algo ou alguém, mas havia um magnetismo naquela figura, era impossível não reparar. ela era linda, vestia uns jeans que lhe contornavam tudo de forma generosa e um blazer sóbrio azul profundo. pelo menos um regalo para os olhos, já que me sentia morta em todos os sentidos.

Sem comentários:

Enviar um comentário