quarta-feira, 17 de setembro de 2025

prazer

 


às vezes, releio as nossas conversas com a necessidade de justificar os sonhos onde andas nua e fazes rugas nos lençóis através das minhas mãos em desatino. podias vestir uma roupinha de vez enquanto, podia sonhar com a minha insignificância em toda a nossa história ou com a tua indignação por leres coisas que me mantém sã e a ti te fazem lembrar o que tanto queres esquecer. deve ter sido muito confuso e duro para ti. 
eu vivi o que quis, não me arrependo de ter que te vestir nos sonhos, é o preço que tenho que pagar para te ter tido. acho que foste a que mais sofreu. consigo essa capacidade analítica com a distância do amor que será sempre teu. esse amor só meu é o maior dos desperdícios. tem dias que penso ser a tua caixa de pandora. mas ser uma caixa de pandora acarreta um desejo que não creio existir. mentiria se parte de mim não grita por um amor que tu escondeste, talvez até mataste. não acho que possamos matar o amor, ele morre sempre quando quer. 
às vezes, sou um monstro maior, porque é maior que a minha capacidade do que está certo, e aproveito-me da tua nudez e tenho orgasmos tão profundos como a cama desalinhada ao acordar. e eu acordo inundada de ti ainda a ouvir os teus gemidos, e volto a tocar-me fechando os olhos e imaginando minhas as tuas mãos. o teu toque num misto de desespero e surpresa, de ansiedade e pertença. bom, alguns adjetivos podem ser minha imaginação, até o teu prazer pode ter sido. ou foi! 


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