terça-feira, 24 de junho de 2025
fomos
quinta-feira, 19 de junho de 2025
para queimar a terra...
podia dizer que temos um assunto mal resolvido. coisas mal resolvidas ficam a pairar no ar, e vão e veem como as ondas do mar na cadência que não controlamos, e nunca param, assim como o tempo. diria que ontem traiu-te a tua curiosidade, e acredito que apenas tenha sido isso mesmo, curiosidade.
podia dizer que temos um assunto por encerrar, que com o tempo, teria duas ou três coisas para te dizer do alto de quem superou as pedras do seu caminho e está mais do que preparada para as que estiverem no caminho ainda por percorrer.
foste uma criatura cruel, desumana e sem qualquer sensibilidade. às vezes, gosto de pensar que tudo foi doloroso para ti, a atitude e a decisão. assim, talvez me consiga justificar o amor, quase platónico, quase sublime, mas que me embalou durante algum tempo e do qual prefiro guardar os melhores sorrisos que me desenhou ou os calafrios de uma paixão sem sentido carnal.
a maioria das vezes quando me passas pela cabeça, ou porque te apresentas nas redes sociais e não há como contornar, tenho-te um ódio capaz de gelar o que ainda não tens gelado. depois, o tempo passa e esqueço que existes, e apetece bater-me por deixar que ainda, por alguns momentos, faças-me sentir alguma coisa, mesmo que seja ódio. eu não odeio ninguém. nem a ti!
estou a pensar nas duas ou três coisas que não quererás ler, saber ou ouvir.
um monstro não se importa com o que partiu ao próximo - nada disso é bíblico - tão pouco sabe o valor das coisas pequenas, como o desnudar na confiança do espaço preenchido apenas, qual porto seguro, feito de silêncio - que eu te aceitaria feita tonta - mas jamais imaginei o fel da criatura que se acha superior às demais.
eu prefiro pensar que é só a tua forma de manter tudo à distância, da tua dor nunca se saber.
e eu poderia escrever, talvez até escreva, os filmes que nos fiz, as coisas que idealizei contigo. às vezes, penso que tudo foi um sonho, ou pesadelo, como lhe quiseres chamar. há "ses" tremendamente inexoráveis...
domingo, 8 de junho de 2025
certo
descobri a maior subtileza de querer voltar a ver alguém. sei que vais querer o meu numero de telemóvel. e foi assim. fiquei maravilhada com aquele à vontade com adjetivos desconhecidos. fiquei sujeita a bocas o resto da noite e no caminho até casa. fui tomar banho já com a vontade reconhecida de pouca vida. mesmo depois de lavar os dentes ainda sentia o álcool na boca, as oportunidades para sair tornavam-se sempre potenciais momentos de esquecimento.
pela manhã sacodi o casaco para arrumar e o numero dela num guardanapo caiu ao chão. deixei-o ali, no chão. pareceu-me mais sensato.
segunda-feira, 2 de junho de 2025
2 semanas depois
falarei da primeira vez que me deitei com uma mulher depois de ti. continuo a olhar o passado e ser eternamente agradecida, como se ela me tivesse feito uma esmola. na realidade sempre senti que sim. que beleza com peso a mais, uma alma rasgada até ao sangue e a retina dos olhos turva de tanto chorar a tua ausência de tudo. deve haver alguma beleza num coração partido, nas palavras poucas num corpo faminto para te esquecer. fui para a cama com ela duas semanas depois de ter falado contigo pela ultima vez. e ainda hoje me envergonho. não tínhamos nada há meses e eu na realidade sei que nunca tivemos nada, foram 4 experiências para ti e 4 maneiras de foder-me a vida acompanhada.
chegaram as férias, as ultimas do ano, depois de Itália - e eu que só queria voltar e ficar no loop do tempo onde te poderia ter todos os dias numa vídeo chamada que me deixava quase à beira dos mais deliciosos orgasmos. tive que fazer o esforço para aceitar o convite de uma amiga do Porto para passar uns dias na zona do Douro. não sabia que se andava a passar comigo, mas percebeu pelas minhas poucas conversas que algo não estaria bem. disse que tinha gente interessante para me apresentar e que se eu quisesse pisar o risco com ela também podia. era uma amiga, com quem nunca tive envolvimento e sinceramente nunca percebi a atenção que me dedicava.
vamos a um lançamento, disse ela. e eu que não estava para livros recusei. lançamento de vinho no Peso da Régua, quase gritou. ok, ok, pronto, conta comigo. este é o meu tipo de evento, não era naquele dia e naquele tempo, mas foi ali que a vi. não sou de percorrer o olhar pelos espaços à procura de algo ou alguém, mas havia um magnetismo naquela figura, era impossível não reparar. ela era linda, vestia uns jeans que lhe contornavam tudo de forma generosa e um blazer sóbrio azul profundo. pelo menos um regalo para os olhos, já que me sentia morta em todos os sentidos.
