quarta-feira, 17 de setembro de 2025

prazer

 


às vezes, releio as nossas conversas com a necessidade de justificar os sonhos onde andas nua e fazes rugas nos lençóis através das minhas mãos em desatino. podias vestir uma roupinha de vez enquanto, podia sonhar com a minha insignificância em toda a nossa história ou com a tua indignação por leres coisas que me mantém sã e a ti te fazem lembrar o que tanto queres esquecer. deve ter sido muito confuso e duro para ti. 
eu vivi o que quis, não me arrependo de ter que te vestir nos sonhos, é o preço que tenho que pagar para te ter tido. acho que foste a que mais sofreu. consigo essa capacidade analítica com a distância do amor que será sempre teu. esse amor só meu é o maior dos desperdícios. tem dias que penso ser a tua caixa de pandora. mas ser uma caixa de pandora acarreta um desejo que não creio existir. mentiria se parte de mim não grita por um amor que tu escondeste, talvez até mataste. não acho que possamos matar o amor, ele morre sempre quando quer. 
às vezes, sou um monstro maior, porque é maior que a minha capacidade do que está certo, e aproveito-me da tua nudez e tenho orgasmos tão profundos como a cama desalinhada ao acordar. e eu acordo inundada de ti ainda a ouvir os teus gemidos, e volto a tocar-me fechando os olhos e imaginando minhas as tuas mãos. o teu toque num misto de desespero e surpresa, de ansiedade e pertença. bom, alguns adjetivos podem ser minha imaginação, até o teu prazer pode ter sido. ou foi! 


sábado, 13 de setembro de 2025

um monstro


aquele sonho de criança pequenino, como a pequenina que o sonhou. devia ter postado uma fotografia de relógio porque de tempo quero falar. o tempo das coisas é incrível. e que digam que ele é renovador, que da voltas como os ponteiros, apraz-me dizer que o tempo é manipulador e sarcástico. 

estou a viver o tempo que tudo acontece na minha vida, onde tudo flui, onde estou a colher os frutos de tantas contendas e tantos sacrifícios. e a verdade é que tudo acontece depois de a ter conhecido. ela fez-me encontrar uma paz que pensava ter perdido para sempre e mostrou-me que o meu amor é um camaleão. tudo isto parece uma prosa de primavera e de romance fácil. bom, até foi fácil, porque ela faz-me querer ser melhor todos os dias. e eu amo-a profundamente, visceralmente.

ela edificou-me paredes em quatro anos de ruinas em pó, a ela devo tanto, se ela soubesse... se ela soubesse o que me deixou em nada e a ser levada pelo vento até ela. e eu fecho as mãos e ardem-me os olhos da raiva que sinto de mim, porque sentir-te para sempre faz de mim o maior dos monstros aos olhos da minha consciência e do respeito que tenho por ela. a sorte é que aprendi com o tempo a saber de ti e a controlar a paixão que existiu um dia além do amor. o amor ficou, incontornável, como não sei explicar, não creio que os maiores dos lirismos consigam. diria que é tão sublime como cruel.

hoje sinto-me o maior dos monstros. é isso. a verdade crua - com a certeza que também não sei explicar- que se pudéssemos estar a um respirar uma da outra, teria que me matar para não te querer.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

7 anos de ti

 sete anos passaram. e podiam ser no Tibete, ou fazer o papel de coitadinha e dizer que foi um inferno. que foi. parte de mim jamais recuperei, a mesma parte que fico a recordar, que é tua, será sempre tua. pode ser romance, mas prefiro dizer que é como sinto. tentei matar-te, matando-me o amor, mas não há maior estupidez. o medo de amar é a pior que as carraças. foi quando me deixei amar-te, dormindo num choro acomodado com o fado das nossas vidas, quando deixei de sofrer. o amor é libertador.

é um filho da mãe, o amor. mata-te em vida, faz-te andar em coma e a sentir tudo e todos à tua volta, quando nem estás ali e em lado algum, como se fosse uma bolha que me confortou da fraqueza do que não tive capacidade de suportar. e não suportei. mendiguei o meu coração por aí, recuperei quando te aceitei para sempre. escrevi prosas de ódio a rimar com o teu nome, escrevi muito mesmo. nunca vi tanto amor em tanta palavra amarga, e eu juro que fiz de tudo para não amargurar e ficar irreconhecível.

mas fiquei diferente. ficamos todos. afinal 7 anos são muitos anos. às vezes, penso - quando me desce a compaixão por tudo o que nunca vou voltar a ser e fui contigo- será que pensas em mim? será que tiveste vontade de um abraço meu, se é que lembras sequer que me deste um abraço e como o sentiste... não, não vou ficar ressabiada. é o que é e o que foi. fomos as mais felizes em Italia e as mais apaixonadas num total de meio dia de paixão de vários tempos. 

o restante das vezes, julgo que apenas sou uma má memória, algo que esqueceste muito fácil, e eu fico feliz, sinceramente com essa facilidade, porque não há como esquecer alguém que se ama. fizeste a escolha certa.